No começo de novembro, a Igreja tem dois dias seguidos dedicados aos que já morreram. Em 1º de novembro, celebra todos os santos, conhecidos e desconhecidos, que já estão na presença de Deus. Em 2 de novembro, reza por todos os fiéis que morreram e ainda podem estar se purificando.
Por trás dos dois dias está a doutrina da comunhão dos santos, que professamos no Credo. A Igreja é uma só, formada pelos que estão no céu, pelos que se purificam e pelos que ainda caminham na terra. Os do céu intercedem por nós, e nós podemos rezar pelos que morreram.
Todos os Santos
Nos primeiros séculos, cada comunidade celebrava os seus mártires no aniversário da morte. Com o tempo, os mártires eram tantos que não cabiam no calendário. Em 609, o Papa Bonifácio IV recebeu do imperador o Panteão de Roma, antigo templo dedicado a todos os deuses, e o consagrou a Maria e a todos os mártires.
No século VIII, Gregório III dedicou uma capela da Basílica de São Pedro a todos os santos. No século IX, a festa de 1º de novembro se estendeu a toda a Igreja do Ocidente.
Finados
O Dia de Finados nasceu num mosteiro. Por volta do ano 998, Santo Odilão, abade de Cluny, na França, determinou que os mosteiros ligados a Cluny rezassem por todos os defuntos no dia seguinte a Todos os Santos. O costume se espalhou e chegou a Roma.
Em 1915, durante a Primeira Guerra Mundial, o Papa Bento XV permitiu que todo padre celebrasse três missas no dia 2 de novembro, por causa do número de mortos e das muitas missas que deixavam de ser rezadas. A permissão continua valendo.
Quem visita um cemitério entre 1º e 8 de novembro e reza pelos falecidos pode receber indulgência plenária, aplicável somente aos defuntos, cumpridas as condições habituais: confissão, comunhão e oração pelas intenções do Papa.
No Brasil e em 2026
No Brasil, quando 1º de novembro cai num dia de semana, a solenidade de Todos os Santos passa para o domingo seguinte. Em 2026 não há mudança: 1º de novembro é domingo, e Finados cai na segunda-feira. No calendário, Todos os Santos aparece em branco. Finados, em roxo.
A pintura
A imagem acima é um painel de Fra Angelico, pintado por volta de 1423 para a igreja de São Domingos, em Fiesole, e hoje na National Gallery, em Londres. Cristo aparece no centro, cercado de anjos. Dos lados, em fileiras, estão profetas, apóstolos, mártires, virgens, bispos e monges. É uma maneira de pintar o que a festa celebra: uma multidão que ninguém podia contar.
Imagem: Cristo glorificado na corte do céu, de Fra Angelico. Domínio público, via Wikimedia Commons.
