Uma confusão comum: a Imaculada Conceição não se refere à concepção de Jesus no ventre de Maria. Essa é celebrada na Anunciação, em 25 de março. A festa de 8 de dezembro fala da concepção da própria Maria, no ventre de sua mãe, Sant'Ana.
A Igreja ensina que Maria foi preservada do pecado original desde o primeiro instante da sua existência. Não por mérito próprio, mas por uma graça de Deus, concedida em vista da redenção que Cristo realizaria. Maria também foi redimida por Cristo, só que de forma antecipada.
Uma longa discussão
A festa da Conceição de Maria era celebrada no Oriente desde o século VIII e chegou ao Ocidente nos séculos seguintes. Mas o sentido exato dela foi discutido por séculos. Grandes teólogos medievais tinham dificuldade em conciliar a ideia com a doutrina de que todos precisam da redenção de Cristo.
O franciscano João Duns Escoto, morto em 1308, propôs a solução que acabou acolhida: Maria foi redimida por preservação. Em vez de ser libertada do pecado, foi impedida de contraí-lo. A tradição associa a ele a fórmula latina potuit, decuit, ergo fecit: Deus podia fazê-lo, era conveniente, portanto o fez.
Em 8 de dezembro de 1854, o Papa Pio IX definiu a Imaculada Conceição como dogma, na bula Ineffabilis Deus. Quatro anos depois, em Lourdes, a jovem Bernadette Soubirous perguntou o nome da senhora que lhe aparecia. A resposta veio no dialeto da região: Que soy era Immaculada Councepciou, eu sou a Imaculada Conceição.
A Imaculada no Brasil e em Portugal
Em 1646, o rei Dom João IV coroou Nossa Senhora da Conceição como rainha de Portugal. Desde então, os reis portugueses deixaram de usar a coroa na cabeça.
No Brasil, a ligação é ainda mais próxima. Em outubro de 1717, três pescadores, Domingos Garcia, João Alves e Filipe Pedroso, recolheram no rio Paraíba do Sul uma pequena imagem de barro, primeiro o corpo e depois a cabeça. Era uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. Ficou conhecida como Nossa Senhora da Conceição Aparecida e foi proclamada padroeira do Brasil por Pio XI em 1930.
A pintura
A imagem acima é a Imaculada pintada por Murillo por volta de 1678 para o Hospital dos Veneráveis, em Sevilha. Durante as guerras napoleônicas, foi levada para a França pelo marechal Soult e só voltou à Espanha em 1941. Hoje está no Museu do Prado.
Em 2026, a solenidade cai numa terça-feira, na segunda semana do Advento. É um dos poucos dias do Advento em que a cor da missa deixa o roxo e passa ao branco.
Imagem: Imaculada Conceição dos Veneráveis, de Bartolomé Esteban Murillo. Domínio público, via Wikimedia Commons.
