O último domingo do ano litúrgico é a solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. Em 2026, ela cai em 22 de novembro. No domingo seguinte começa o Advento, e com ele um ano novo na Igreja.
Apesar do lugar de destaque, é uma das festas mais recentes do calendário. Foi instituída pelo Papa Pio XI em 11 de dezembro de 1925, com a encíclica Quas primas.
Por que 1925
Naquele ano completavam-se 1600 anos do Concílio de Niceia, que em 325 professou a divindade de Cristo nas palavras que ainda rezamos no Credo. A Europa saía da Primeira Guerra Mundial, e regimes que queriam afastar a religião da vida pública ganhavam força. Pio XI quis uma festa que lembrasse, todos os anos, que o reinado de Cristo alcança também a vida social, as leis e as nações.
A festa foi colocada originalmente no último domingo de outubro, pouco antes de Todos os Santos. Na reforma do calendário de 1969, São Paulo VI a levou para o fim do ano litúrgico e lhe deu o nome atual. Assim, o ano litúrgico começa no Advento, com a espera de Cristo, e termina com a festa de Cristo Rei.
Um rei que julga pelo amor
Em 2026 o ciclo de leituras dos domingos é o ano A, e o Evangelho da solenidade é o do juízo final, em Mateus 25. O Rei separa as ovelhas dos cabritos e diz: "Tive fome e me destes de comer". Os que estão à sua direita não se lembram de tê-lo visto. Ele responde que tudo o que fizeram a um destes pequenos, fizeram a ele.
Viva Cristo Rei
Poucos anos depois da criação da festa, a expressão virou grito de martírio no México. Durante a perseguição religiosa dos anos 1920, muitos católicos morreram dizendo "Viva Cristo Rei!". Um deles foi o padre jesuíta Miguel Agustín Pro, fuzilado em 23 de novembro de 1927, de braços abertos. Outro foi José Sánchez del Río, um adolescente de 14 anos morto em 1928 e canonizado em 2016.
A imagem
A pintura acima é o Retábulo de Gante, concluído em 1432 pelos irmãos van Eyck. No alto, ao centro, está a figura entronizada, de manto vermelho e coroa. Os estudiosos discutem se ela representa Deus Pai ou Cristo. Embaixo, anjos, santos, profetas e pessoas de todas as condições caminham em direção ao Cordeiro sobre o altar.
Imagem: O Retábulo de Gante, de Jan e Hubert van Eyck, aberto. Domínio público, via Wikimedia Commons.
